Há perguntas que não pertencem apenas a uma pessoa. Atravessam gerações. Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou?
Talvez nunca as tenhas formulado exatamente assim. Talvez surjam de forma subtil, em momentos de crise, de mudança, de cansaço profundo ou de um silêncio que chega sem aviso. Mas elas vivem em ti. E pedem escuta.
Este é o primeiro texto deste espaço. E não poderia começar de outra forma senão pelo essencial.
Nenhum de nós começa em si próprio. Antes de ti, houve histórias. Vidas inteiras. Caminhos interrompidos e outros levados até ao fim. Houve escolhas possíveis e impossíveis, amores que ficaram, perdas que marcaram, exclusões, silêncios, segredos… e também forças invisíveis que permitiram que estivesses aqui hoje.
Carregamos muito mais do que aquilo que é visível.
Na perspetiva sistémica e transgeracional, olhamos para o ser humano como parte de um sistema maior: a família. E esse sistema vive em nós, no corpo, nas emoções, nos padrões de relação, nas decisões que repetimos sem saber porquê.
Muitas das nossas dores não começaram connosco. Mas também muitas das nossas forças vêm de longe.
Reconhecer as raízes não é ficar preso ao passado. É dar-lhe um lugar.
Há momentos em que a vida deixa de funcionar no modo automático a que nos habituamos e algo já não encaixa. Pode ser um conflito numa relação, um bloqueio emocional, um cansaço que não passa, uma decisão difícil ou um vazio que não se explica. Algo interrompe o fluxo habitual e obriga-te a parar.
Esses momentos não são falhas. São convites.
Convites a escutar o que está por baixo da superfície. A perceber que o sintoma é muitas vezes linguagem. O corpo fala. As relações falam. Os bloqueios falam. A pergunta deixa de ser “o que está errado comigo?” e passa a ser: “o que quer ser visto em mim?”
O meu trabalho nasce do encontro entre diferentes abordagens terapêuticas e de consciência: a terapia sistémica e transgeracional, a terapia transpessoal, a psicologia analitica e uma visão integradora do ser humano. Sempre com o objetivo de ampliar consciência.
Consciência sobre quem és para além dos papéis que desempenhas. Consciência sobre as lealdades invisíveis que te habitam. Consciência sobre a tua dimensão emocional, corporal, mental e espiritual.
Quando algo é visto com verdade, pode transformar-se, mas transformar não é apagar. É integrar.
Pertencer é uma necessidade humana profunda. Todos precisamos de um lugar interno onde possamos dizer: “eu faço parte”. Mas pertencer não significa repetir.
Quando as raízes estão reconhecidas, as asas tornam-se possíveis.
Asas para escolher diferente. Asas para viver com mais liberdade. Asas para honrar o passado sem ficar preso a ele.
Crescer não é trair quem veio antes. É levar a vida adiante.
Este site nasce como um espaço de reflexão, consciência e acompanhamento terapêutico. Aqui vou partilhar textos, perguntas e olhares sistémicos e transpessoais sobre a vida, as relações, a família, o corpo, o sintoma e o sentido.
Se algo em ti ressoar, confia. A ressonância é uma forma de verdade.
Talvez este seja apenas um primeiro passo, mas todos os caminhos começam assim.
Com presença.
Com raízes.
E com asas.
Sofia Cid


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