AQUILO QUE SENTES PODE NÃO SER TEU

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Há momentos em que aquilo que sentes não faz sentido.

Uma tristeza que aparece sem explicação, uma ansiedade que não acompanha a tua vida atual ou uma culpa que não sabes de onde vem e tentas resolver. Controlar, mas nada muda verdadeiramente.

Porque há algo que raramente te disseram: nem tudo o que sentes começou em ti.

Crescemos a acreditar que somos responsáveis por tudo o que sentimos. Que as emoções são “nossas”, que nasceram connosco, que fazem parte da nossa personalidade.

Mas… e se não for assim?

E se aquilo que carregas for, em parte, uma continuação de uma história anterior à tua?

Dentro de ti vivem mais pessoas do que imaginas.

Vive a história dos teus pais, dos teus avós, dos teus bisavós. Vive nas perdas que nunca foram choradas, nas injustiças que nunca foram reparadas, nos silêncios que nunca foram quebrados e, muitas vezes, sem te dares conta, tornas-te fiel a essas histórias. A essa fidelidade chamamos, em trabalho sistémico, lealdade invisível.

Uma lealdade profunda, inconsciente, que te liga ao teu sistema familiar, por amor, por pertença, por uma necessidade primária de não excluir ninguém, mesmo que isso te custe a tua paz.

É por isso que às vezes:

  • sentes um peso que não sabes explicar
  • repete-se um padrão na tua vida
  • carregas emoções que não correspondem à tua realidade

Não é fraqueza. Não é falta de controlo. É, muitas vezes, amor em forma de repetição.

Talvez estejas a sentir a tristeza de alguém que não pôde sentir; ou a viver uma culpa que não foi assumida, ou a carregar um medo que começou muito antes de ti. E enquanto não olhares para isso, vais continuar a tentar resolver com a mente aquilo que pertence à história.

Mas há algo que devemos ter em atenção. Compreender tudo isto não te tira responsabilidade, pelo contrario, devolve-te liberdade. Porque quando vês, podes escolher. Quando tomas consciência, deixas de repetir automaticamente e quando honras a história, já não precisas de a carregar.

Libertar-te não é rejeitar a tua família, não é afastar-te, não é culpar. É fazer algo muito mais profundo: devolver a cada um aquilo que lhe pertence. Com respeito, com humildade, com consciência.

E talvez, pela primeira vez, possas perguntar: “Se isto não é meu… então o que é verdadeiramente meu?”

Essa é a pergunta que inicia tudo.

Se sentes que há padrões, emoções ou pesos que não consegues compreender sozinho/a, talvez seja o momento de olhar para a tua história com outro tipo de profundidade.

Às vezes, não se trata de mudar o que sentes. Trata-se de perceber de onde vem.

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